“A Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, foi instituída pelo papa Pio XI (11.12.1925) cuja intenção revestia a festa de um caráter fundamentalmente social. A reforma litúrgica, colocando-a no último domingo do Tempo comum, deu-lhe um significado diferente, sublinhando a dimensão escatológica do reino na sua consumação final. Assim, Cristo aparece como o centro e Senhor da história, desde o início até seu final” (Cristo, Festa da Igreja, pág. 436).

A perícope dessa Solenidade ressalta esse senhorio de Cristo que alcança seu ápice na conclusão da história, com o juízo final. Porém, tal juízo não é arbitrário e alheio à história, como se fosse um ponto no fim de uma longa estrada. Pelo contrário, o juízo final iniciou desde o momento no qual o Filho Eterno do Pai se fez carne, assumindo a nossa condição humana a fim de salvá-la e livrá-la da perdição eterna. A partir do momento em que Ele se fez um de nós, estabeleceu os critérios justos para o julgamento da humanidade, chamada à realização do projeto do Pai: a vida em plenitude.

As clássicas obras de misericórdia (corporais) elencadas como critérios concretos do julgamento, não são ações isoladas praticadas simplesmente por um humanismo horizontalista, mas retomam as fundamentais etapas do caminho da humanidade necessitada de um julgamento justo em vista da sua autêntica libertação. Portanto, sem a Encarnação do Verbo, o homem não seria capaz de descobrir o significado profundo da sua fome e da sua sede, da sua peregrinação como estrangeiro nessa terra, de sua nudez e da sua enfermidade, das suas prisões.

 

O Filho do homem faminto e sedento no ser humano, não apenas reclama uma ação caritativa, mas uma verdadeira conversão, isto é, reconhecer que no humano semelhante o próprio Deus se faz presente com fome e sede: “Tive fome e me deste de comer... tive sede e me deste de beber”. Jesus não afirma que o ato de caridade foi realizado em nome dele, mas a Ele mesmo.

“Eu era peregrino”: a Encarnação do Verbo Eterno marcou profundamente a sua jornada itinerante na terra como o verdadeiro estrangeiro que saindo do Pai veio habitar entre nós. Assim como o povo peregrino no deserto, armando suas tendas, o Criador de tudo quis assumir a nossa provisoriedade, batendo à nossa porta, procurando guarida e abrigo entre nós. “Eu estava nu”: despojando-se de sua glória, não apegando-se ciosamente à sua condição divina” (Fl 2,6), assumiu a nossa nudez, assemelhando-se ao Adão mortal, a fim de que este fosse revestido de imortalidade.

Não bastasse assumir a nossa fome e sede, a nossa peregrinação como estrangeiros e a nossa nudez, declara: “Eu estava doente”, pois levava sobre si todas as nossas enfermidades, as nossas dores ele carregava (cf. Is 53,4), portanto, se fez um conosco na nossa doença.

 

Ademais, declara: “Eu estava na prisão”, enquanto aguardava o julgamento, ou seja, o juízo dos homens que o condenariam à morte, fazendo-se prisioneiro uniu-se a todos os prisioneiros que, mesmo aguardando uma sentença condenatória, abrem-se à misericórdia do Pai, “que não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva” (Ez 33,11). A prisão será um destino quase que natural para os primeiros seguidores de Jesus (cf. At 4,3; 5,18). E ao longo da história do cristianismo ainda tem perdurado essa realidade. Portanto, não é um simbolismo romântico o Cristo ser aprisionado no homem encarcerado.

Todas as situações que se tornam critério para o juízo final demonstram que não é Deus quem decide arbitrariamente o destino final, mas é o próprio ser humano que é chamado a realizar a primeira etapa da julgamento final enquanto percorre as sendas da história. Professando explicitamente a fé ou não, os critérios para o julgamento são os mesmos, pois muitos dirão naquele dia: “Quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, sede...”

A partir da Encarnação, Deus inaugurou uma via de acesso muito “fácil” a Ele, pois o seu Filho uniu-se a todos os homens (cf. Catecismo 432), portanto, matar a fome e a sede do ser humano necessitado é saciar o próprio Deus encarnado; acolher o semelhante estrangeiro é abrir espaço para que o próprio Deus arme sua tenda; socorrer o próximo doente é curvar-se diante do grande mistério do Deus que por amor assume a nossa dor; visitar o encarcerado, sem discriminação ou condenação, é reconhecer sem hipocrisia nossas prisões das quais o Senhor que nos libertar.

Prêmio eterno ou castigo para sempre é sentença justa de quem escolheu ou não a misericórdia como critério para julgar e discernir que no outro habitava algo maior do que ele mesmo.  

Dom André Vital Félix da Silva, SCJ.

Bispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CE.

Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana.

Igreja Católica Apostólica Romana.

Diocese de Limoeiro do Norte-CE.

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