Estamos no mês de novembro, quando fazemos, de modo particular, memória de nossos irmãos falecidos, e como negar o fato de que, mesmo crendo na ressurreição, a tristeza toma o nosso coração diante da morte. Quantas lágrimas ainda teimam em banhar nossos rostos quando recordamos a ausência dos nossos entes queridos falecidos.

Ainda que estejamos de acordo com Santo Agostinho: “Saudade, sim; tristeza, não”, é impossível negar a experiência incontrolável que nos atinge emocional e sentimentalmente, isto é, a tristeza.  No próprio evangelho encontramos o registro de situações nas quais “Jesus chorou” No evangelho de João se encontra no menor versículo (Jo 11,35). Contudo, essa expressão não é tão simples de compreender. Naturalmente esta realidade pode criar uma certa perplexidade, pois sendo Filho de Deus, como Jesus poderia ter sentimentos que para nós muitas vezes, representam tristeza profunda, desespero, e até falta de confiança. Qual a causa das lágrimas de Jesus? É preciso considerar todo o contexto onde esse versículo se encontra (ver Jo 11,1-54): a morte e ressurreição de Lázaro.

 

De fato, qual terá sido a causa da tristeza de Jesus e da sua consequente “explosão” em derramamento de lágrimas? Será que Jesus chorou por causa da morte do amigo Lázaro? Se respondermos sim, sobretudo apelando para o contexto citado, estaremos correndo um risco de precipitação. Como Jesus teria chorado por um morto cuja ressurreição já estava garantida? Ele mesmo afirmou que aquela doença não era para a morte, pois Lázaro estava dormindo e que ele iria despertá-lo (11,11). Se esta fosse a causa, o relato do choro não passaria de um melodrama da parte de Jesus. Portanto, Jesus não chora simplesmente porque Lázaro morreu, Então, por que Jesus chorou? A sua grande tristeza não provém da morte física do amigo, pelo contrário, essa é causa de alegria: “Por vossa causa, me alegro de não ter estado lá, para que creiais” (11,15). Assim, já podemos vislumbrar o possível motivo do choro de Jesus: a incredulidade. Incredulidade que atinge o coração dos seus discípulos (11,8), das irmãs do morto (11,21.32), dos judeus ali presentes (11,37).

Ilustra bem essa possibilidade uma outra situação do evangelho quando chega em Jerusalém, depois de ter feito tudo para converter o seu povo, reconhece que Jerusalém não conheceu o tempo em que foi visitada e, por isso, chora sobre ela (Lc 19,41-42). O verdadeiro motivo de tristeza de Jesus que se expressa nas suas lágrimas é a incredulidade, pois esta fecha os horizontes, anula a fé, faz-nos seres sem esperança. Chorar a morte de um amigo, de um parente, de alguém que amamos, é legítimo e até saudável.  Contudo, há um choro mais dramático e necessário, isto é, diante da incredulidade, da insensibilidade do ser humano diante de Deus e dos seus sinais. Quem consegue autenticamente derramar lágrimas por causa disso, certamente torna-se um apelo de conversão, e, portanto, a sua tristeza se transforma em alegria (Jo 16,20-23).

Dom André Vital Félix da Silva, SCJ.

Bispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CE.

Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana.

Igreja Católica Apostólica Romana.

Diocese de Limoeiro do Norte-CE.

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