Reflexão - Ascensão do Senhor- Mc 16,15-20

"A missão não terminou...”

“Com a Ascensão do Senhor, portanto, cessa a experiência da presença sensível de Jesus em nosso meio (Cristo “segundo a carne”: 2Cor 5,16) e começa o tempo da presença invisível de Jesus no Espírito, através do sinal visível do seu corpo, que é a Igreja: “Eu já não estou no mundo; eles permanecem no mundo, enquanto eu vou para junto de ti”: Jo 17,11 (Cristo, Festa da Igreja, pág. 395).

Na Solenidade da Ascensão do Senhor não se faz memória de uma despedida de Jesus, que se afasta dos seus, mas evidencia-se a certeza de que Ele cumpriu verdadeiramente a sua missão. Contudo, esta missão não chegou ao seu ponto final, ela continua através da vida e do testemunho da comunidade do Ressuscitado e se concretiza na obediência ao seu mandato: “Ide por todo o mundo, proclamai o Evangelho a toda a criatura”. Tendo cumprido a sua missão com fidelidade até as últimas consequências, passando pela morte e ressurreição, Jesus volta para o Pai: “foi arrebatado e sentou-se à direita do Pai”, porém está junto dos seus, “agindo com eles e confirmando a Palavra por meio dos sinais que a acompanhavam”.

 

A narração da Ascensão do Senhor segundo Marcos apresenta alguns elementos importantes que não encontramos nos outros evangelistas (Mt 28,16-20; Lc 24,50-53; At 1,3-14). Antes de tudo, chama-nos a atenção a coerência apresentada pelo evangelista quando afirma a relação intrínseca que existe entre anúncio da Palavra e confirmação dessa Palavra “por meio dos sinais que a acompanhavam”. Evidentemente que se são sinais (grego: semeia), não significam apenas prodígios extraordinários, mas apontam para uma realidade distinta deles em si mesmos. Porém, antes de elencar os sinais, Marcos sublinha: “aos que tiverem crido”. Portanto, não é o sinal em si que garante a autenticidade do anúncio, mas a fé como adesão à pessoa de Jesus e ao seu evangelho, manifestada no batismo como dom de salvação: “Quem crer e for batizado será salvo”. Os sinais não têm sentido se não acompanharem a Palavra, pois dependem da evangelização e não o contrário, a evangelização depende dos sinais. O anúncio do evangelho é essencialmente transmissão da fé pela Palavra que, por sua vez, não é simples proclamação verbal, mas uma experiência de encontro com o Senhor, que chama à conversão.

Os discípulos não podem esquecer que o Evangelho é de Jesus, o Cristo, Filho de Deus (Mc 1,1), e, por isso, afastar-se ou deformar aquilo que o próprio Senhor estabeleceu como conteúdo essencial do seu anúncio, é trair a missão que lhes foi confiada. Marcos relata no início do evangelho qual é esse conteúdo: “Cumpriu-se o tempo, o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no Evangelho” (1,14-15). Os discípulos, em nome de Jesus, devem continuar no tempo e no espaço, ao longo da história, a mesma missão do seu Senhor. Jesus também ao proclamar o Evangelho de Deus realizou sinais que acompanhavam tal anúncio.

1.Expulsarão muitos demônios: mais do que espetáculos de exorcismos, este sinal indica que a missão tem uma autoridade que não vem dos homens, mas de Deus. O primeiro sinal que Jesus realizou no evangelho de Marcos foi justamente expulsar um espírito impuro, um endemoninhado na sinagoga de Cafarnaum (Mc 1,21-28). Na ocasião, as pessoas se admiravam: “Que isto? Um novo ensinamento com autoridade!” Por conseguinte, os missionários expulsarão os espíritos maus à medida que a sua pregação tiver coerência, o que lhes dará autoridade, e, portanto, diante disso ninguém poderá resistir (Mc 13,13).

2. “Falarão novas línguas”: a expansão do Evangelho exige cruzar fronteiras não apenas geográficas, mas também culturais. A língua é mais do que um instrumento de transmissão de ideias ou conceitos teóricos, mas comunica valores, por isso, a encarnação do Evangelho exige falar novas línguas, disponibilidade para mergulhar na cultura dos destinatários da Boa Nova. Jesus também ultrapassou as fronteiras culturais e geográficas do seu “país”. No início de Marcos Jesus anuncia que deverá “falar” novas línguas: “Vamos a outros lugares, às aldeias das vizinhas, a fim de pregar também ali” (1,38). Ele mesmo percorreu territórios pagãos (Mc 5,1s; 7,24).

 

3. “Pegarão em serpentes e se beberem algum veneno mortífero, nada sofrerão”: para um povo que convive com a necessidade de atravessar desertos, sabe muito bem que um dos grandes perigos desses lugares é ser surpreendido por animais peçonhentos, pois eles são traiçoeiros, têm agilidade e sutileza, e geralmente atacam covardemente. Por isso, a serpente tornou-se um símbolo da sedução, da traição, da falsidade. Esta advertência de Jesus garante aos seus enviados que se eles estiverem alicerçados na verdadeira fé, não se deixarão confundir nem persuadir por falsos profetas, inclusive da própria comunidade. Jesus também foi vítima de traidores e pessoas falsas. Contudo não se deixou enganar, mesmo tendo que pagar um alto preço pela coerência da missão. 

4. “Imporão as mãos sobre os enfermos e estes ficarão curados”: por fim, este sinal também acompanha a pregação de Jesus. Indica que, de fato, a Boa notícia chegou aos seus primeiros destinatários, isto é, os sofredores, doentes, marginalizados. Marcos no início do evangelho afirma que muitos enfermos eram trazidos a Jesus para que lhes impusesse as mãos (1,32; 6,5).

Celebrar a Ascensão do Senhor não é “ficar olhando para o céu”, mas nos provocar a tomar consciência da missão que recebemos do próprio Senhor que continua a nos diz: “Ide pelo mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura”.

Dom André Vital Félix da Silva, SCJ.

Bispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CE.

Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana.

Igreja Católica Apostólica Romana.

Diocese de Limoeiro do Norte-CE.

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