Os primeiros dias do mês de novembro, quando celebramos a Solenidade de Todos os Santos e o dia dos Fiéis Falecidos, favorecem ao cristão católico a reflexão sobre o mistério que rezamos em um dos artigos da nossa profissão de fé: “Creio na Comunhão dos Santos”. A Igreja, Mãe e Mestra, nos ensina que esta comunhão é uma comunhão nas coisas santas e com os santos e santas, membros do Corpo de Cristo. Portanto, mesmo sendo uma única realidade, devemos considerar que há uma distinção: nossa comunhão com Deus como participação em tudo o que é d’Ele e que nos é oferecido, mas também é comunhão com todos os que pertencem a Ele.

Primeiramente, a Comunhão dos Santos se refere aos bens espirituais da Igreja. Somos a Igreja da Palavra de Deus, viva e encarnada: Jesus Cristo. Participamos de um único Batismo (cf. Ef 4,5) que nos tornou filhos de Deus por uma graça sobrenatural, e participamos de todos os demais sacramentos que culminam na Eucaristia, sacramento do Corpo e Sangue do nosso Santíssimo Salvador, “autor e consumador da nossa fé” (Hb 12,2), transmitida pelos apóstolos e regada pelo sangue de tantos mártires de todos os tempos e lugares da terra. Graças aos carismas, as “manifestações do Espírito para o bem comum” (1Cor 12,7), participamos da maior organização caritativa do planeta, com milhares de obras concretas em um mundo sempre mais egoísta e indiferente. Aos frutos da ação do Verbo, dos sacramentos, dos carismas e das obras de caridade que lhe advém, todos nós batizados estamos vinculados pela comunhão nas coisas santas.

Ademais, a Comunhão dos Santos se refere, em seu segundo aspecto, à comunhão de vida entre as pessoas santas, ou seja, aquelas que pertencem a Cristo pela fé n’Ele e incorporados pelo Batismo ao seu Corpo, a Igreja.  Mesmo nesta terra, a Igreja já é a sociedade dos santos, (cf. At 9,13; Rm 8,27), mas ainda em caminho, trabalhando para chegar à sua consumação que está no Reino dos Céus. Portanto, é comunhão que também está para além desta vida: fazem parte da Igreja os que morreram na amizade com Cristo, aqueles que mais propriamente chamamos “santos”, uma vez que realizaram heroicamente em suas vidas o processo de morte do homem velho para fazer Cristo aparecer neles: “Não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim” (Gl 2,20). São aqueles desde Abel, Abraão e todos os que na figura da Antiga Aliança esperavam o Salvador, passando pela Virgem Maria, São José, os Santos Apóstolos, até aqueles dos nossos dias: Santo Padre Pio de Pietrelcina, Santa Faustina Kowalska, São João Paulo II, Santa Tereza de Calcutá, Santos Francisco e Jacinta Marto e aqueles cujos nome e a fé somente Deus conhece.

 

Além da Igreja da qual fazemos parte nesta terra, que chamamos “militante” (ainda combatente pela salvação), e da Igreja do Céu, a Igreja dos bem-aventurados, que chamamos “triunfante” (pois já estão na glória), também constituem a Igreja as almas do purgatório, a quem chamamos de Igreja “padecente”. Ao dizermos “igreja militante”, “padecente” e “triunfante”, não falamos de três igrejas diferentes, mas de três realidades presentes em uma única Igreja em comunhão. Os membros da Igreja padecente são aquelas almas que já estão salvas, mas ainda precisam de expiação para entrar no Céu, que é a morada santa do Deus que é Santo. Justamente por isso, a Igreja instituiu um dia de oração e sacrifícios pelos Fiéis Falecidos, ou o “dia de finados” como popularmente chamamos, para que sejam úteis as nossas preces e sacrifícios em sufrágio das almas dos nossos irmãos que descansaram no Senhor.

Na prática, vemos a beleza desta verdade: podemos rezar uns pelos outros, que estamos ombro a ombro, labutando pela salvação nesta terra; pedimos com frequência o auxílio e os rogos dos santos na certeza de suas súplicas a Deus; mas também podemos rezar pelas almas do purgatório para que elas logo cheguem à visão bem-aventurada de Deus. Estas almas podem oferecer seus sofrimentos e orações por nós. Por que então não contar com suas intercessões? Elas nos ajudam e nós a elas: isto é comunhão!

Que maravilha o mistério da comunhão da Igreja! Que alegria pertencer a uma comunidade tão rica de verdadeiros tesouros incorruptíveis! Tesouros celestiais que nos são dados a saborear já nesta terra. Que graça ser da família dos santos, daqueles que se configuraram a Cristo na sua vida a ponto de alguns até trazerem na própria carne as marcas da paixão, como São Francisco de Assis. São homens e mulheres, crianças, jovens e idosos, reis, rainhas, escravos, pais e mãe de família, virgens e pastores, do Oriente e do Ocidente, de todos os tempos e lugares, os que estamos no livro da vida, e temos sempre um encontro marcado na Eucaristia celebrada do nascer ao pôr do sol todos os dias, antegozo das Núpcias do Cordeiro. Nós somos a Igreja, nós somos a Comunhão dos Santos!

Pe. Marcos Flávio C. Oliveira

Pároco da Paróquia Santa Rosa de Lima, 

Jaguaribara-CE

Igreja Católica Apostólica Romana.

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