Reflexão - VI Domingo da Páscoa - Jo 15, 9-17

"Se não é fecundo, não é amor!”

Depois de ter apresentado a alegoria da “videira verdadeira” (V Domingo), Jesus continua o seu ensinamento aprofundando o significado e a necessidade de estar unido a Ele. Tal necessidade não é uma obrigação formal, mas um relacionamento de amor vital. Sem esta experiência de comunhão amorosa com o seu Mestre, o discípulo não poderá subsistir, tornar-se-á um galho estéril, a consequência mais terrível da sua infidelidade.

Se na primeira parte de Jo 15 (1-8), evidencia-se a necessidade de uma comunhão entre os ramos e a videira, nessa perícope (9-17), o assento recai sobre as consequências dessa comunhão vital, isto é, a fecundidade já acenada anteriormente. A fecundidade é consequência de uma experiência de amor autêntico, cuja prova incontestável é oferecer a própria vida: “Não há maior prova de amor do que dá a vida pelo amigo”. Esse amor declarado por Jesus tem sua origem no próprio amor, o seu Pai: “Assim como meu Pai me ama, eu também vos amo”. Jesus tem autoridade moral para dizer isso aos discípulos porque não se trata de uma afirmação teórica, mas no tempo de convivência com eles, deu grandes provas dessa verdade. A primeira manifestação do amor de Jesus pelos seus amigos foi a sua eleição-chamado: “Não fostes vós que me escolhestes, mas eu que vos escolhi”.

Antes mesmo de anunciar-lhe com palavras o seu amor, Jesus amou-os profundamente e, por isso, os chamou e escolheu. Só pode responde a um chamado quem, de fato, faz a experiência de ser amado por quem o chama. Seria temerário seguir alguém cujo amor não se demonstra e cujas provas sejam duvidosas.  Jesus não fez declarações de amor aos seus discípulos para que se convencessem disso e o seguissem, mas antes de tudo amou-os profundamente e até os extremos (cf. Jo 13,1). Contudo, a experiência do amor não é pontual, acabada, mas acontece num dinamismo que exige reciprocidade, acolhimento, perseverança e compromisso. Por isso, o Mestre após reafirmar o seu amor pelos seus amigos, adverte-os: “Permanecei no meu amor”.

 

Muito significativo este verbo “permanecer” (grego: mevw, estabelecer convivência, estar com, habitar junto, residir). Nessa perícope aparece 4 vezes (mas em todo o cap. 15 são bem mais). É o verbo usado no início do IV Evangelho para indicar a primeira experiência que os primeiros discípulos de Jesus tiveram com ele: André e o outro discípulo “permaneceram com Ele” (Jo 1, 39). Portanto, esta é atitude fundamental do discípulo, sem permanecer com o Mestre, não poderá fazer a experiência do seu amor. Por outro lado, estar com o Mestre não significa compartilhar com ele um espaço afetivo ou físico, mas um compromisso: “Se observais os meus mandamentos, permanecereis no meu amor. Eu também observo os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor”. Restringir a experiência de amar a puro sentimentalismo afetivo é trair o Mestre, abandonando a exigência que decorre do ser amado por Ele, isto é, amar os outros: “Eis o meu mandamento: Amai-vos uns aos outros”. Tal mandamento tem um critério inconfundível: “Assim como eu vos amei”. Destarte, não somos nós o critério do amar o próximo, não somos nós que definimos a maneira de amar-nos, mas só existe uma forma coerente de o discípulo observar o mandamento do Mestre: amando como Ele mesmo amou.

 

A cruz é a medida do amor verdadeiro, pois é nela que Jesus reafirma sua fidelidade ao Pai e é nela que o seu amor se manifesta fecundo. Sem a cruz o amor de Jesus teria sido apenas uma proclamação teórica, um anúncio não realizado plenamente; a cruz abraçada por Jesus foi transformada na árvore mais frutífera plantada neste mundo. Os seus frutos se multiplicaram ao longo da história e dela se alimentaram tantos outros discípulos que, enxertados nela, produziram muitos frutos.    

Ao chamar de amigos e não de servos os seus discípulos, Jesus não está propondo um relacionamento light, sem muitas exigências, uma amizade puramente afetiva. Mas contrapondo o amigo ao servo (grego: philoi x douloi), Jesus os declara livres, pois não foram chamados para uma subserviência da Lei, mas para a experiência do autêntico amor que liberta. Jesus glorificou o Pai na cruz, os discípulos são chamados a glorificar o Pai pelos frutos que produzem. O amor de Jesus tornou fecundo o seu sacrifício na cruz; o amor dos discípulos fecunda a sua vida e produz muitos frutos. Não basta apenas afirmar que se ama, se este amor não é fecundo, não passará de uma ilusão que escraviza os supostos amantes.

Dom André Vital Félix da Silva, SCJ.

Bispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CE.

Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana.

Igreja Católica Apostólica Romana.

Diocese de Limoeiro do Norte-CE.

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