O evangelho de hoje reafirma a verdade de que é impossível tornar-se discípulo de Jesus se não tivermos a coragem de segui-lo até a cruz. Pois é lá que veremos, de fato, quem Ele é (Filho do Homem) e o significado da sua missão (dar a vida pela salvação da humanidade). No pedido dos gregos a Filipe: “Senhor, gostaríamos de ver Jesus”, pode-se entrever, inclusive nos tempos de hoje, a motivação de muitas pessoas que manifestam apenas uma curiosidade de ver Jesus, mas nem sempre estão dispostas a conhecê-lo e assumir o seu caminho (Herodes também queria ver Jesus cf. Lc 9,9). Contudo, a resposta de Jesus indica o momento no qual Ele será visto: “chegou a hora em que o Filho do Homem será glorificado”. A glória de Jesus, segundo S. João, é o momento da sua morte, por isso Ele mesmo declara: “Em verdade, em verdade vos digo, se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele continua só um grão de trigo, mas, se morre, então produz muito fruto”.

O pão que na Eucaristia se torna o corpo de Cristo não tem apenas significado de alimento, mas traz em si a memória de todo o processo de como se tornou pão: é o resultado de um grão de trigo que caiu na terra, morreu, produziu fruto e que, depois de ser triturado, tornou-se massa e, finalmente, pão, alimento. Pensar o pão apenas na sua fase final, é colocar em risco o reconhecimento do seu valor inestimável, pois ele não chegou à mesa de forma mágica, fácil, mas é resultado de um árduo processo de vida e morte: “Quem se apega a sua vida perde-a; mas quem faz pouca conta de sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna”.  

 

Jesus explicita que só há um modo de aproximar-se Dele: “Se alguém me quer servir, siga-me”. Na perspectiva bíblica “servir” também tem significado de culto, adoração. No início da perícope João diz que “havia alguns gregos entre aqueles que tinham subido a Jerusalém para adorar durante a festa”. Portanto, o servir a Jesus não é prestar-lhe um culto qualquer, mas é, antes de tudo, fazer a vontade do Pai, e a vontade do Pai é reconhecê-lo como seu Filho, crendo nele. Os gregos pedem para ver Jesus, mas é o Pai quem vai mostrá-lo. Por isso naquele momento, antecipa-se a hora de Jesus quando se escuta a voz do céu: “Eu o glorifiquei”, em referência à Encarnação: “E o Verbo se fez carne... E nós vimos a sua glória”, “e o glorificarei de novo”, um anúncio da realização da hora de Jesus na cruz: “quando for elevado da terra atrairei todos a mim”. Portanto, a glória de Deus se manifesta de modo concreto no seu Filho que é o Verbo encarnado, o Cristo crucificado e o Senhor ressuscitado.

Cristo elevado na cruz se tornou a escada entre a terra e o céu, da qual Ele mesmo falou no início do evangelho de João: “Vereis o céu aberto, e o anjos do céu subindo e descendo sobre o Filho do homem” (1,51). Ao ser elevado da terra, Jesus também elevou consigo a nossa humanidade, assumida na encarnação e redimida na cruz.

 

Por conseguinte, sem ir ao calvário, ou seja, sem presenciar a manifestação da sua glória, da revelação do seu amor no ato extremo de sua doação na cruz, não será possível vê-lo realmente e saber quem Ele é. Contemplar aquele que foi traspassado é a condição indispensável para compreender tudo aquilo que Ele fez e ensinou. Por isso, no lava-pés, diante da incompreensão de Pedro ao ver seu mestre abaixado lavando os seus pés como um escravo, Jesus anuncia “O que faço, não compreendes agora, mas o compreenderás mais tarde” (Jo 13,7). Só quando for elevado na cruz será possível compreender o significado profundo do seu abaixar-se para lavar pés dos seus amigos. Pois assim como para lavar os pés dos discípulos depôs o manto e usou a agua da bacia, na cruz foi despojado de suas roupas e fez jorrar do seu coração sangue e água para purificar a humanidade do seu pecado.

O Cristo exaltado na cruz realiza o julgamento definitivo desse mundo. Pois no crucificado eleva-se tudo aquilo que o ser humano necessita para derrotar o mal, a injustiça, o pecado, por isso tem o poder de atrair todos a si.

Por isso, na sexta-feira santa a Igreja ergue o sinal da vitória do Cristo Senhor justamente para proclamar nesse gesto a realização da sua palavra. Não ergue um símbolo de fracasso e derrota, mas o sinal de que o cordeiro imolado é verdadeiramente vitorioso.

Dom André Vital Félix da Silva, SCJ.

Bispo da Diocese de Limoeiro do Norte – CE.

Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana.

Igreja Católica Apostólica Romana.

Diocese de Limoeiro do Norte-CE.

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