O Evangelho de hoje, tradicionalmente chamado de confissão de fé de Simão Pedro, apresenta-nos o desafio de Jesus dirigido a toda pessoa que deseja segui-lo, isto é, saber quem Ele é para saber em quem acredita, a fim de decidir com convicção se permanece ou não com Ele, assumindo todas as consequências e implicações dessa opção fundamental. É impossível seguir com fidelidade o Mestre se não formos capazes de responder a sua pergunta fundamental: “Quem dizeis que eu sou?” Respostas genéricas não são suficientes para dar consistência à perseverança e à fidelidade, exigências fundamentais para o seguimento.

É muito significativo que essa pergunta de Jesus esteja inserida depois de algum tempo de convivência com os seus discípulos. Depois de terem compartilhado com o Mestre tantas experiências, testemunhado muitos dos seus milagres e serem instruídos por seus ensinamentos, agora chegou o momento de manifestarem que tipo de conhecimento têm Daquele que estão seguindo. O princípio do conviver para conhecer, cuja consequência natural será amar ou rejeitar, torna-se uma regra fundamental para toda pessoa que recebeu a graça da fé cristã. Afirmar que seguimos um desconhecido é, na verdade, um sinal de que não o estamos seguindo.

A pergunta de Jesus se dá em dois momentos: por um lado, retoma-se toda a tradição de espera messiânica vetero-testamentária, de expectativa de quem seria o enviado de Deus e esperado pelo povo: “Quem dizem os homens ser o Filho do homem?”; por outro, o Mestre ajuda os seus discípulos à tomada de consciência da motivação que os sustenta no seguimento e, consequentemente, exige discernimento a fim de consolidar a perseverança nos passos Daquele que eles conhecem ou, por outro lado, a desistência e o abandono Daquele que não conhecem.

A fé cristã, no seu dinamismo essencial, expressa-se como dom vindo do Pai que, uma vez acolhido, conduz ao encontro com o Filho. A fé não é pílula mágica que produz mecanicamente efeitos mirabolantes, mas é semente que produz muitos e abundantes frutos em vista da implantação do Reino dos Céus, cujo sacramento é a Igreja (Lumen Gentium n. 48).

Jesus ao perguntar aos discípulos sobre o conhecimento que tinham Dele não está expressando uma ignorância de sua parte, mas quer lhes favorecer uma ocasião para que tomem consciência daquilo que eles sabem sobre Jesus. Mais do que suprir a falta de conhecimento de Jesus, é permitir aos discípulos que expressem com sinceridade a verdade que eles acreditam, ainda que não de forma acabada e perfeita, pois ainda há caminho pela frente rumo à cruz, momento imprescindível para se chegar ao pleno conhecimento de quem é Jesus e qual a sua missão. Por isso, enquanto não se chega à cruz, “não se deve dizer a ninguém que Ele era o Messias”, uma vez que nenhum daqueles que se declararam “messias” anunciou a sua morte de cruz e sua ressurreição (ver Mt 16,21).

No dizer do povo, o esperado das expectativas messiânicas era um dos grandes profetas; partindo do profeta conhecido mais recente, João Batista, cujo modo de viver se assemelhava ao profeta Elias, e citando o profeta Jeremias, incluíam-se todos os outros. Portanto, o povo já manifestara a sua opção em relação aos enviados de Deus; entre reis, sacerdotes, profetas, estes últimos representavam melhor os anseios do povo que aguardava a realização das promessas. Porém, todos esses profetas já tinham realizado a sua missão, e não podiam ser identificados como o Messias, pois estavam já mortos. Portanto, acreditar que fosse um desses, não haveria mais sentido aguardar o enviado de Deus.

Os discípulos não apenas ouviram falar de promessas que se realizariam com a chegada do Messias, mas estavam já diante de uma nova realidade, pois foram testemunhas da presença do Noivo. Reconhecê-lo era o passo decisivo. Por isso Jesus inverte a pergunta: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Não é mais o dizer de terceiros ou afirmações imprecisas e genéricas, mas uma resposta a partir de uma experiência pessoal e comunitária, concreta, isto é, por meio de uma adesão de fé que se chega a aprofundar o conhecimento da pessoa de Jesus cujo sinal mais coerente é o seguimento.

Simão Pedro, respondendo: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”, explicita a única e suficiente razão de eles não terem ainda abandonado o Mestre, pois àquelas alturas, muitos já tinham feito. Na lógica da continuidade com o Antigo Testamento, reconhecer Jesus como Messias era possível, não representava uma opção extraordinária. Contudo, afirmar que o Messias era o Filho do Deus vivo, extrapolava todas as expectativas e possibilidades de aceitação inclusive religiosa. Afirmar que o Messias Jesus se diferenciava de todos os outros pela sua natureza divina era a mudança essencial do modo de crer e daquilo em que acreditar. E este passo não seria possível apenas por iniciativa humana, fruto de raciocínios e especulações inclusive religiosas, por isso Jesus proclama: “Bem-aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano (grego sarks kai haima: carne e sangue) que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu”.

Mais uma vez se reafirma que a fé que conduz ao Filho é um dom de Deus, mas é preciso tomar decisões que testemunhem essa adesão de fé feita por pessoas concretas.

No encontro dos discípulos com o Senhor, numa perspectiva de dom gratuito do Pai, fundamenta-se a comunidade de fé, a Igreja. Sem a pedra da fé, a construção é inconsistente, destinada à ruina. A pedra sobre a qual se edifica a Igreja é a fé professada pelos apóstolos, pessoas concretas que testemunharam com a vida a sua convicção de que Jesus é o Filho de Deus. Por conseguinte, a sua fé, representada na fé de Pedro, tornou-se a pedra da fé para todos que creem.

Dom André Vital

Igreja Católica Apostólica Romana.

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